sábado, 22 de outubro de 2011

AUSÊNCIA

Não é saudade
Que passeia aqui.
Talvez um vazio
De cama  esquecida.
Um barulho familiar
Que  já não se ouve.
São rimas de saudade
Que despertam de cada
Detalhe do passado.

MônicaFSSoares

CANTEIRO

Lá fora ouço
O estralar do verso:
São canteiros meigos
De sorrisos infantis.
Que brincam de rimar
De aderir
Pensamentos absurdos
De um poeta gelado.

MônicaFSSoares

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O ATO DA POESIA

"Poesia é o acaso do amor
na eutanásia da recordação."

Croce

NÃO SEI ...

                                                                                                         Para meu Leo

Não sei o que dizer do amor
Que  me encanta ...
Por enquanto as dores passeiam  sorrindo ...
Acordo dentre as madrugadas
Para  sentir o perfume
Que me envolve ...
Ainda assim,
Não sei o que dizer do amor
Que me encanta....
Não sei ...

01/1990
MônicaFSSoares

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

É NOITE !

É noite e os poetas
Acordam...
O espírito poético
Suaviza o ar que respiro.

É noite e os poetas
Acordam ...
Suas mãos pesadas
Cravejam o papel de piadas.

É noite e os versos
Transbordam...

É no  silêncio da noite
Num quase nada
Que vivem os poetas!

LONGE

Longe escuto o grilar
Do devaneio.

Longe escuto o latir
Do desespero.

Mais longe um coração
Dorme solteiro.

Longe,longe,longe
O mar me acalma
O medo.

MônicaFSSoares

sábado, 24 de setembro de 2011

INTERIOR

Uma inteiridade
Se apossa de mim
Despedaçando os blocos
Que passeiam sem roupas,
Despidos de cor,de cheiro,vazios...
Esta inteiridade
Me assombra!
Tenho tentado retê-la
Ou simplesmente contê-la ...
Mas minhas partes
Não se mostram,
Não se moldam.
Tudo que sou é tão sólido,
Tão compacto.
Que não sei se tornei-me mundo
Ou apenas um pedaço
Detalhado de tudo.

Mônica FSSoares

quarta-feira, 25 de maio de 2011

SILÊNCIO

    Para Cecília


Dentro de mim
Há um silêncio
Constante.
A sobreerguer
Os versos...
Dentro de mim
o silêncio
Toca o vento...
E a lira esquecida
Num canto
Suspira melodias
Infantis,
Aspira um cheiro
Bom de orvalho.
Sinto tudo delirar
Em prantos,
Revolvendo
A poeira triste,
Assoprando
Meus dedos finos.
O tempo ainda
É tempo
E lá fora
O silêncio eterno
Está sólido.
Aqui  dentro,
Está solto,
Vagando...
Pondo flores
Nos vasos
Pondo cheiro
No verso
Vazio e calmo ...

MônicaFSSoares

terça-feira, 24 de maio de 2011

JANELA

Janela é palavra
Que significa viver.

Há janelas em
Muitas janelas.

São pedaços de almas
De tantas almas.

Uma parte é fria
Parada de se vê,
Outra é vida
De se viver.


MônicaFSSoares

segunda-feira, 23 de maio de 2011

PERGUNTAS

Fiz tantas
Perguntas!!!
Que
Quase
Me esqueci .

MônicaFSSoares
23/5/2011

CORAÇÕES PASSARINHO

                                                                               A Cecília e Elson

Quando dois corações
Se reconhecem
O impacto  ás vezes
É arredio.
Mas o tempo devagarinho
Quebra as correntes
E os dois corações
Voam juntos
Como dois passarinhos ...

Quando dois passarinhos
Se aninham
O estar nunca
É sozinho.
A vida constrói
Armadilhas.
O tempo esculpe
O ninho
E os dois dormem
Sempre juntinhos.

MônicaFSSoares
23/5/2011

terça-feira, 15 de março de 2011

FALTA

                                                                                                                     a Selma e Leo

Sinto falta de um
Ouvir amigo...
Só a poesia apóia
O meu triste viver de fim.

Ouvir o soluço do choro
Da voz quebrada
No ritmo alucinado da vida
Que parte sem o seu viço.

Ser capaz de levantar
As pálpebras pesadas
Num abraço de borboletas
Todas simples e coloridas.

Sinto falta do olhar
Do distante amigo
Capaz de entender
No meu olhar
Tudo o que eu digo.

MFSS em 27/8/10

VERME

Neste momento os pássaros,aqui,
Já não cantam ...
Já não existem ...
Sinto a luz obscurecer os sentimentos,
Sinto de leve a mão do tempo
Tocar-me o rosto.
A úmida parede afaga-me
Em lembranças conturbadas
Por um odor de carne fétida
Por um odor de saudade espontânea ...
A terra escorrega livre...
Os homens passeiam livres ...
Procuram os braços, as pernas ... perdidos!
Os homens não procuram o verme
Que a vida em mim fez nascer.

MFSS  em 1988, as vitimas de uma tragédia no Brasil,
            em 2011, as vítimas  do terremoto no Japão.

RETA

Seguimos sempre
Sem nos olhar.
O tempo passa
Num relance
Esmagador...
Que não dá pra
Diluir o que
Ficou...
E assim a pouca
Humanidade
Esvazia-se de nós.
O que somos?
Que herança
deixaremos ?!

CHUVA

Gostaria de não ver o planeta
Chorando a nuvem negra que derrama !
Chuva fina,pesada,
Chuvisquinho tímido,em outras
Torrentes de água a desabar
Sobre os mundos.
Uma carga poderosa é a natureza!
Carrego-a nos braços, não nos ombros
Pelo apreço,pelo cuidado,
Pelo esmero e pela solidão...
Uma fria sensação de gelo
Me toma, será a chegada do fim?
Cada vez mais amarga,
Cada vez mais revoltada
Tem se mostrado malvada
A nossa natureza!
Fria e pesada
Ela cai,cai ...
Não importa
Quem vai,vai ...
Apenas se mostra
Mais, mais ...
E mais.

MFSS em 3/7/2010