terça-feira, 15 de março de 2011

FALTA

                                                                                                                     a Selma e Leo

Sinto falta de um
Ouvir amigo...
Só a poesia apóia
O meu triste viver de fim.

Ouvir o soluço do choro
Da voz quebrada
No ritmo alucinado da vida
Que parte sem o seu viço.

Ser capaz de levantar
As pálpebras pesadas
Num abraço de borboletas
Todas simples e coloridas.

Sinto falta do olhar
Do distante amigo
Capaz de entender
No meu olhar
Tudo o que eu digo.

MFSS em 27/8/10

VERME

Neste momento os pássaros,aqui,
Já não cantam ...
Já não existem ...
Sinto a luz obscurecer os sentimentos,
Sinto de leve a mão do tempo
Tocar-me o rosto.
A úmida parede afaga-me
Em lembranças conturbadas
Por um odor de carne fétida
Por um odor de saudade espontânea ...
A terra escorrega livre...
Os homens passeiam livres ...
Procuram os braços, as pernas ... perdidos!
Os homens não procuram o verme
Que a vida em mim fez nascer.

MFSS  em 1988, as vitimas de uma tragédia no Brasil,
            em 2011, as vítimas  do terremoto no Japão.

RETA

Seguimos sempre
Sem nos olhar.
O tempo passa
Num relance
Esmagador...
Que não dá pra
Diluir o que
Ficou...
E assim a pouca
Humanidade
Esvazia-se de nós.
O que somos?
Que herança
deixaremos ?!

CHUVA

Gostaria de não ver o planeta
Chorando a nuvem negra que derrama !
Chuva fina,pesada,
Chuvisquinho tímido,em outras
Torrentes de água a desabar
Sobre os mundos.
Uma carga poderosa é a natureza!
Carrego-a nos braços, não nos ombros
Pelo apreço,pelo cuidado,
Pelo esmero e pela solidão...
Uma fria sensação de gelo
Me toma, será a chegada do fim?
Cada vez mais amarga,
Cada vez mais revoltada
Tem se mostrado malvada
A nossa natureza!
Fria e pesada
Ela cai,cai ...
Não importa
Quem vai,vai ...
Apenas se mostra
Mais, mais ...
E mais.

MFSS em 3/7/2010